Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

Marcelo Reis foi chamado para "Os Mutantes" por teste feito um ano antes


Quando fez o primeiro teste para "Caminhos do Coração", da Record, Marcelo Reis chegou a ficar triste por não ter sido escolhido. Na época, o atual intérprete do vampiro Bram continuou fazendo suas participações praticamente fixas no humorístico "Zorra Total", da Globo, sem pensar mais no assunto. Mas quando Tiago Santiago começou a escrever "Os Mutantes - Caminhos do Coração", o diretor Alexandre Avancini viu novamente o teste do rapaz e logo pensou em Marcelo para integrar a "gangue sanguinária" da trama. "Inicialmente eu gravaria apenas duas semanas, mas a dupla com o Mário Frias deu certo e só sobraram os nossos personagens no grupo", comemora Marcelo, que nasceu em Fátima, cidade do interior da Bahia. O ator, de 30 anos, mora no Rio há 10 e já está em sua quarta novela. Mas essa é a primeira vez com um papel fixo. "Eu sempre chegava, fazia um, dois meses, e depois saía. Só agora eu sei o que é ser reconhecido pelo público nas ruas", observa ele, que sonha se tornar um grande diretor.

Nome: Marcelo Santos Reis.
Nascimento: 7 de março de 1978, em Fátima, na Bahia.
Primeiro trabalho na tevê: Em “América”, em 2005, como Edson, segurança da vilã Djanira, de Betty Faria.
Sua atuação inesquecível: Rei Claudius na montagem de "Hamlet", de William Shakespeare, apresentada em 2003 no Casarão Cultural dos Arcos, no Rio de Janeiro.
Interpretação memorável: José Dumont como o Diabo no longa "Maria, Mãe do Filho de Deus", de Moacyr Góes.
Momento marcante na carreira: "Quando fui chamado pelo Jayme Monjardim para fazer 'América'. Nunca tinha aparecido na tevê, nem sonhava com isso. Não queria me iludir porque sempre achei muito difícil conseguir".
A que assiste na tevê: Séries importadas, como "Friends", "Desperate Housewives" e "Brothers and Sisters".
A que nunca assiste: "Pânico na TV!", da Rede TV!. "A gente rala muito para conseguir um lugar na televisão e de repente vem um cara curtindo com a tua cara e te chamando de 'famoso quem'. Nunca passei por isso, mas tenho receio porque não sei como reagiria".
O que falta na tevê: Séries brasileiras.
O que sobra na tevê: Programas de futilidade e de fofoca.
Ator: José Dumont.
Atriz: Marília Pêra e Fernanda Montenegro.
Com quem gostaria de contracenar: Osmar Prado.
Se não fosse ator, seria: Médico.
Humorista: Tom Cavalcante.
Novela: “Laços de Família”, de Manoel Carlos.
Cena inesquecível na tevê: O sequestro e a morte da estudante Eloah, em São Paulo.
Melhor abertura de novela: “A Indomada”.
Vilão marcante: Nazaré, de "Senhora do Destino", interpretada por Renata Sorrah.
Personagem mais difícil de compor: Coringa, da novela "Bicho do Mato". "Tive de treinar muito para fazer um sotaque do Pantanal".
Papel que mais teve retorno do público: Bram, em “Os Mutantes”, da Record.
Que novela gostaria que fosse reprisada: “Bicho do Mato”, exibida pela Record em 2006.
Que papel que gostaria de representar: Um mocinho.
Par romântico inesquecível: Clarice e Daniel, de Lavínia Vlasak e Marcelo Serrado, em "Prova de Amor", exibida pela Record em 2005.
Com quem gostaria de fazer par romântico: Lavínia Vlasak.
Filme: “Pulp Fiction”, de Quentin Tarantino.
Livro: “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago.
Autor: Tiago Santiago.
Diretor: Maurício Sherman.
Vexame: "Estava gravando 'Os Mutantes' e tinha uma cena de vôo. Era só pular uma janela e, do outro lado, tinha um colchão enorme para não se machucar. Mas como tenho 1,90 m, meu pé ficou preso e o cenário desabou. Todo mundo riu. Aí fizeram com dublê".
Mania: Comer besteira de madrugada.
Medo: "De perder as pessoas que amo e ficar sozinho no mundo".
Projeto: "Me dedicar mais à direção. Ainda vou ser muito conhecido nessa área".

Patricia Moretzsohn analisa acertos e erros de "Malhação"


Patricia Moretzsohn sabe que comete erros. E esse reconhecimento foi, sem dúvida, o maior aliado em seu primeiro trabalho autoral, a temporada de 2008 de "Malhação". Principalmente porque, depois que se deu bem adaptando "Floribella" para ser exibida na Band, a autora se fechou no universo infantil. E quase colocou tudo a perder quando escreveu as primeiras linhas das aventuras do – na época – quase "falido" Múltipla Escolha. "Comecei focando demais no mesmo público que eu tinha quando trabalhava na Band. Achei que, se lá que era uma emissora sem histórico e com muitas limitações, dava certo, na Globo não seria diferente. Mas foi um erro", reconhece. Foi a partir dessa constatação que Patricia decidiu dar conflitos à mocinha Angelina, de Sophie Charlotte, de fazer inveja em muitas protagonistas de horário nobre. "Criamos uma heroína que perdeu a mãe, ganhou outra, teve uma gravidez de risco na adolescência e, o pior, o filho ainda era do homem errado. Isso amadureceu a história", avalia.

P – A temporada de 2008 de “Malhação” foi seu primeiro trabalho autoral. Que balanço você faz?
R – Diante do quadro em que o programa se encontrava em 2007, os resultados são maravilhosos. Dizem que o jovem não quer mais ver tevê e que o formato novela está saturado. Mas o que a gente fez foi procurar os pontos positivos e se arriscar. E isso não quer dizer que não erramos. Começamos falhando e depois conseguimos pegar o caminho certo. Acho que a grande desvantagem e, ao mesmo tempo, a grande vantagem de “Malhação” é durar tantos meses. Chegamos a um ponto híbrido, onde você tem de assumir que aquilo é um misto de seriado e de novela. E, com isso, é preciso entender quais são seus limites. Foi isso que a minha equipe fez.

P – Que erros você acha que cometeu?
R – Quando adaptei duas temporadas de “Floribella” para a Band, foi um sucesso inesperado. Na minha cabeça, se eu tinha conseguido isso em uma emissora sem histórico em teledramaturgia e com limitações, imaginava que chegaria na Globo e daria tudo certo. Acho que isso me fechou um pouco nesse universo mais infantil do que adolescente. Mas depois percebi que “Floribella” era um produto totalmente segmentado, o que não acontece com “Malhação”. Na Globo você sempre busca um público amplo, de faixas etárias diferentes. Com isso, procuramos formas de amadurecer a história e, assim, conquistar os jovens com idades próximas aos personagens.

P – Mas vocês diminuíram a faixa etária dos personagens. Por quê?
R – Nas temporadas passadas, as pessoas pareciam bem mais velhas que os personagens. Só que, inicialmente, temos histórias simples, como o menino que gosta da menina e sofre. Essa dor vem pelo fato dele ser novo, não estar acostumado. Não dá para ter um elenco que não passe credibilidade. Sempre retratamos personagens que não aprenderam a lidar com a vida.

P – Esse pensamento se mantém na temporada de 2009?
R – Sim. Quando o Caio Castro chegou no elenco na temporada passada, percebi uma coisa importante que pretendo trabalhar melhor agora. Antigamente, os triângulos amorosos eram previsíveis demais. Era um mocinho e um vilão disputando o amor da mocinha. Logo, quem terminaria com ela seria o mocinho. Aí o Bruno, personagem do Caio, apareceu e isso mudou. O Bruno escorregava, mas não era um garoto mau. Em 2009, o Luciano e o Alex, do Michael Borges e do Daniel Dalcin, vão escorregar ainda mais. É bobeira criarmos garotos de 16, 17 anos, que fazem tudo certinho. Quando eu tinha essa idade, eu fazia besteira. Você pode engravidar do cara errado e nem por isso ser uma vagabunda. Ou, em um momento de desespero, pegar uma grana na carteira do pai porque acha que, depois, será mais fácil desenrolar com ele. Não são coisas legais, mas acontecem.

P – Essa é a primeira vez que “Malhação” tem um protagonista negro. Você pretende trabalhar a questão do racismo em cima disso?
R – Claro que vamos abordar a questão, mas não dentro do triângulo amoroso. Os temas sociais são sempre utilizados em “Malhação”. Cheguei a deixá-los de lado por um tempo e o público questionou, se afastou, então não dá para parar com isso. E nem é nosso interesse. Nesta temporada já vamos usar um curso pré-vestibular comunitário e um shopping center, onde trabalharemos a questão do consumismo. Mas não pensamos mais em “Malhação” a partir de um determinado tema. Pensamos em personagens que abram possibilidades para diversas questões.

Maria Eduarda se exercita com as inconstâncias de Carminha em "Três Irmãs"


Maria Eduarda está em sua terceira novela, mas nem por isso se acostumou com as mudanças nos rumos dos personagens nos folhetins. Tanto que a intérprete da doce Carminha de "Três Irmãs" se sente, em muitas vezes, treinando nas cenas conflitos e características que, talvez, serão trabalhadas no futuro. "Vou conhecendo o papel junto com o público. Como se algumas gravações fossem ensaios. Mas com uma diferença: esse ensaio será visto por todos os telespectadores", reflete a atriz, arregalando os olhos.

A preocupação em fazer tudo certinho tem um motivo a mais para Maria Eduarda. Claro que, como iniciante na tevê, a ruiva não quer fazer feio para garantir outras oportunidades no futuro. Mas uma de suas prioridades é não decepcionar aquele que chama de "padrinho" na televisão: o diretor Dennis Carvalho. Os dois trabalharam juntos pela primeira vez em "Paraíso Tropical", quando a atriz encarnou a secretária cômica Odete. Na época, seu trabalho chamou tanto a atenção de Dennis que ele fez questão de pedir a Antônio Calmon que escrevesse um papel para a jovem em "Três Irmãs". Daí o peso da responsabilidade de Maria Eduarda neste trabalho. "Fiquei impressionada. Jamais imaginei que eu pudesse receber tanta ajuda de alguém logo no meu primeiro personagem fixo na tevê", avalia ela, que estreou ainda adolescente, aos 17 anos, no elenco de apoio de "Malhação".

A trajetória de Maria Eduarda na carreira de atriz é, no mínimo, curiosa. Primeiro, pela forma como a atriz começou a estudar Teatro. Desde pequena, Maria armava peças de fim de ano com a família e dirigia os primos. Além disso, fazia esquetes com histórias sobre os parentes em seus aniversários. Disposta a entender se isso poderia indicar uma vocação, a atriz pediu que a mãe a inscrevesse num curso. Mas, no dia da primeira aula, choveu demais no Rio e, com a cidade alagada, de 20 alunos, só apareceram ela e um garoto. Sensibilizada, a professora decidiu não abrir mais aquela turma e levou os dois para o Tablado, conceituada escola carioca onde também dava aula. "Assim que comecei, percebi que tinha de me dedicar muito, pois não seria feliz fazendo outra coisa", lembra.

Foi o primeiro passo para Maria Eduarda prestar vestibular para Artes Cênicas. Passou, fez o curso completo e, depois de terminar a faculdade, percebeu o quanto era difícil ganhar dinheiro como atriz. Foi aí que começou a fazer todos os testes que apareciam para comerciais, filmes e televisão. Depois de um ano tentando, a atriz decidiu deixar um material de divulgação de seu trabalho na portaria de Gilberto Braga, já que o autor escreveria uma novela para a Globo. Meses depois, assinava contrato para "Paraíso Tropical". "Tive muita fé em mim. Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, conseguiria uma chance", valoriza-se.

Quando entrou em "Paraíso Tropical", Maria Eduarda brinca que sua personagem era "apenas uma secretária". Mas, ciente de sua veia cômica, a atriz decidiu investir nisso nas cenas e deu certo. Ganhou a simpatia da equipe e, assim, conquistou espaço na história. Agora, na pele de uma outra secretária, bem mais refinada, Maria não pode deixar a personagem tão engraçada quanto gostaria. Otimista, ela enxerga uma vantagem nessa limitação. "Adoro fazer papéis engraçados e sei que faço bem. Mas é bom mostrar que posso encarnar outros tipos também", opina.

Domingo, 4 de Janeiro de 2009

Me chama que eu vou: professor na "Escolinha" da Band, Sidney Magal topa tudo, menos tirar a roupa




Sidney Magal já foi taxado de brega e cafona na música, se arriscou nos palcos como ator e chegou a integrar o elenco de três novelas. Agora, de volta à tevê, o "pai" da cigana "Sandra Rosa Madalena" comanda "Uma Escolinha Muito Louca", humorístico do horário nobre da Band. Transparente, ele assume que não se acanha em aceitar qualquer trabalho que o permita exercer a função de artista. E impõe apenas duas condições. "Não gosto de ser a quinta, sexta opção. E não aceito fazer 'strip tease'. O resto, é só me chamar que eu vou", brinca.

Ciente da falta de originalidade do formato de seu programa, Sidney assume que se preocupou com isso no início. Mas relaxou. Primeiro, por contar com personagens atuais e que, de alguma forma, se tornaram diferentes daqueles adotados pela "Escolinha do Professor Raimundo", sucesso da Globo nos anos 90. E, além disso, por assumir que a única proposta da nova "menina dos olhos" da Band é mesmo fazer rir. Mas Sidney mostra certo receio ao falar de seu contrato com a emissora, que vale por um ano. "Espero que o programa dure até o término. Pelo menos durante esse tempo", torce, com certo realismo.

P - A fórmula de "Uma Escolinha Muito Louca" é muito antiga e foi inspirada na "Escolinha do Professor Raimundo". Quando você foi convidado, chegou a se incomodar com isso?
R - Logo que eu recebi a proposta imaginei que seria uma coisa complicada. Me lembrou muito a época em que fiz a peça "Roque Santeiro". Nosso grande problema eram as comparações. E o Chico Anysio eternizou a escolinha dele na tevê. Não tem como evitar. Mas quando entraram os atores, percebi que havia diferenças. Temos um motoboy, um motorista de bêbado, a operadora de telemarketing, ou seja, personagens que são da nossa época. Os temas são atuais e a maior parte do elenco é jovem. Quer dizer, são atores que vivem essa realidade. Acho que isso já nos ajudou muito.

P - Mas é uma proposta que não traz grandes inovações. Que valor você acha que o programa agrega à grade da Band?
R - Como um pai de família, acho que a violência na tevê é tratada de forma muito pesada. Os telejornais só trazem notícias ruins e isso já está saturando alguns telespectadores. Quanto mais bobagens a gente colocar no ar, melhor. O importante é fazer as pessoas rirem, mesmo sem uma proposta diferenciada. O nosso objetivo é só divertir, aliviar um pouco a vida de quem estiver assistindo.

P - Você começou como cantor na década de 70, mas passa a impressão de topar qualquer trabalho na vida artística. Como isso funciona?
R - Só não tiro a roupa. O resto, é só me chamar que eu vou. Entendo que ser artista é se jogar e dar o melhor de si. Quando fui chamado para atuar nos palcos, fiquei com um medo absurdo. Eu sempre fui um cantor popular, taxado de brega e cafona por muitos. Quando você vai tentar um trabalho tido como "sério", sabe que tanto a crítica quanto o público são mais exigentes. Mas me arrisquei e deu certo. Fui elogiado por críticos conhecidos quando fiz o musical "Sweet Charity" e o espetáculo "Roque Santeiro".

P - Você se considera brega e cafona como cantor?
R - Não me incomoda ser taxado de brega ou cafona, mas nunca me considerei assim. Se o Ney Matogrosso cantasse um gênero como o meu e se vestisse daquele jeito, seria mais massacrado ainda. Mas o repertório dele é considerado sofisticado, então é visto como artista. O visual do Elton John, muitas vezes, beira ao ridículo. Mas ele pode. Sempre achei que tinha criado uma marca, um personagem. Assim como eles. Mas não fui visto como artista por muita gente. Ainda bem que hoje a situação é diferente.

P - Na sua opinião, o que mudou?
R - O Brasil assumiu, depois de muitos anos, sua breguice. É só a gente analisar bem. A música sertaneja, por exemplo, sempre foi excluída. Mas agora é um sucesso. O axé baiano era considerado brega, assim como o pagode romântico. Mas agora isso está na moda. Os filhos das pessoas que me taxaram de cafona hoje escutam essas coisas. Os jovens mudaram. Houve uma época em que havia um certo deboche. Mas agora não. Vários jovens vão aos meus shows, me cumprimentam e mostram que o preconceito se diluiu através dessa nova geração.

"Uma Escolinha Muito Louca" - Band - De segunda a sexta, às 20:15 h.

Aos 45 anos, Claudia Ohana explora mais uma vez sua sensualidade em "A Favorita"


Foto: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

Claudia Ohana sabe que, mais cedo ou mais tarde, fará o que chama de "passagem" na tevê. A intérprete da aventureira Cida de "A Favorita" usa a expressão para definir o período em que as mulheres deixam de interpretar as mocinhas para fazerem suas mães. O que ainda não aconteceu com ela na trama de João Emanuel Carneiro. Tanto que, apesar dos 45 anos de Claudia e dos 27 do ator Bento Ribeiro, que vive o sedutor Juca, a diferença de quase 20 anos de idade entre os dois não foi sentida no ar. "Fiquei espantada com isso. Sem contar que, na história, o Juca tem apenas 21. As pessoas não falam comigo sobre isso nas ruas ou em entrevistas", analisa, concluindo que sua "passagem" ainda pode ser demorada. Mesmo lembrando que, fora da ficção, se orgulha por já ser avó do pequeno Martim, de 3 anos.

Mas Claudia não parece mesmo se preocupar com sua cara de "garotona". E por isso mesmo aceitou, recentemente, voltar a estampar a capa da revista "Playboy" em um novo ensaio sensual. "Antigamente eu não ligava para essa história de ser 'sex symbol'. Mas confesso que agora me divirto com a situação", declara. Por isso mesmo não foi surpreendente para a atriz que sua personagem, apesar de ser uma caminhoneira, caísse no gosto do público masculino. "Sempre rolam cantadas. O pessoal pede carona e pergunta se sou eu quem dirige de verdade", diverte-se.

Para garantir que a personagem fosse crível, Claudia passou dois meses aprendendo a guiar caminhões na própria cidade cenográfica da Globo. E jura que, quando a câmara aparece de longe e sua personagem está manobrando ou dando pequenas voltas com o veículo, não se trata de dublê. "Só nas cenas de estrada é que trabalhamos com um reboque puxando. Não me sinto segura o suficiente para isso", entrega. Além disso, Claudia também conversou com algumas motoristas para conseguir atingir o objetivo de João Emanuel e do diretor Ricardo Waddington. "Assim que eles me chamaram, me contaram que não queriam a Cida masculinizada. Mas, ao mesmo tempo, ela também não poderia ser um poço de feminilidade. Tinha de ser uma mulher com atitude", lembra.

Para alcançar o tom certo, Claudia contou com a ajuda do próprio figurino. "Gravo sempre de jeans e camiseta. Só que tudo justinho, marcando os traços femininos dela", suaviza. Outro fator contribuiu a favor de Claudia em sua construção: a personagem apareceu em meados do segundo mês de exibição da novela. Ou seja, quando começou a gravar, a atriz já sabia que tom funcionava no ar para seu núcleo. "Coincidentemente, no início, os personagens que mais chamavam atenção eram da família Copola. Só tem fera naquele grupo", derrete-se, reconhecendo que deu sorte por pegar "carona" nos conflitos já trabalhados por outros atores.

A forma madura como costuma conduzir seu trabalho se explica pela experiência de Claudia. A atriz começou bem jovem e está prestes a comemorar três décadas de profissão. "Comecei em 80", sinaliza. Nos primeiros anos, Claudia se dedicou mais ao cinema. Mas, depois de algumas participações tímidas, chamou a atenção quando encarnou a jovem protagonista da primeira fase de "Tieta", da Globo, em 1989. Emendou o trabalho com uma personagem fixa em "Rainha da Sucata" que lhe rendeu bons frutos no ano seguinte. "O Jorge Fernando me chamou para protagonizar 'Vamp' e fiquei alucinada com aquilo. Até hoje as pessoas me chamam de Natasha", explica a atriz.

Agora, às vésperas de se despedir do papel, Claudia não sabe o que vai acontecer no futuro. A atriz não tem contrato com a Globo e, até agora, nada foi conversado. Com saudades de fazer cinema, chega a pensar em, talvez, se dedicar novamente aos longas em 2009. E não exclui a possibilidade de assinar com algum canal por longo prazo. "Mas tudo depende. Tem que ver em qual emissora e saber o que pretendem", desconversa, deixando no ar a possibilidade de já ter sido sondada por alguma.

"A Favorita" - Globo - Segunda a sábado, às 21:15 h.

Quase cantora
Claudia sempre gostou de cantar. Mas nunca teve coragem para se aventurar na música. A não ser em seus próprios trabalhos como atriz. E foi isso que fez na época em que foi chamada para protagonizar "Vamp", em 1991, na Globo. Sua personagem, a vampira Natasha, era uma estrela internacional do rock. E, por isso, a emissora fez teste com algumas mulheres para que Cláudia dublasse as músicas. Na época, a atriz se ofereceu para o diretor Jorge Fernando, que pediu para ver o que a jovem era capaz de fazer. Impressionado, Jorge decidiu colocá-la no teste, mas sem informar que se tratava da própria protagonista. "Fui escolhida sem saberem que era eu", recorda, orgulhosa.

Por esse e outros motivos, Claudia ainda se derrete quando se lembra do trabalho. E não hesita em afirmar que só ali aprendeu a fazer tevê. "Era impressionante, dava para reparar a minha evolução. Eu não sabia usar direito a linguagem da tevê. Nem me posicionar. Ganhei essa noção em 'Vamp'", atesta. Mesmo com o sucesso da novela, Claudia não quis tentar se lançar na música. "Acho muito brega essa onda de 'agora vou virar cantora'. Um cantor não é feito só de voz. Tem toda uma filosofia musical além disso", critica. Na época, Claudia gravou para a novela as músicas "Don't Let the Sun Go Down on Me", de Elton Jonh; "Simpathy for the Devil", dos Rolling Stones, "Quero que Vá Tudo pro Inferno", de Roberto Carlos, e "Doce Vampiro", de Rita Lee.


Instantâneas
# Além de "Vamp", outro trabalho não sai da memória de Claudia Ohana. Trata-se do longa "Eréndira", de Ruy Guerra, ex-marido da atriz. "São meus dois maiores orgulhos no currículo", elogia.
# Quando posou nua pela primeira vez, em 1985, Claudia Ohana chamou particularmente a atenção por abrir mão da depilação no púbis para o ensaio.
# Cabelo, aliás, sempre foi a marca da atriz no ar. Tanto que Claudia se surpreendeu quando, em 2005, precisou cortá-lo para interpretar uma mãe alternativa em "Malhação".
# Em 2006, Claudia participou do quadro "Dança no Gelo", do "Domingão do Faustão".

"A Lei e o Crime": Record explora mais uma vez o cotidiano das favelas cariocas



A Record não se cansa de apostar nas cenas de ação para prender a atenção dos telespectadores. Tanto que estreia nesta segunda, dia 5, "A Lei e o Crime", primeira série da nova fase de dramaturgia do canal. Escritos por Marcílio Moraes, os episódios - como o nome já sugere - são recheados de tiroteios, perseguições policiais e valores morais conflitados com as regras impostas pelos traficantes. Com isso, é difícil fugir da sensação de já ter visto suas cenas no ar. Tudo faz lembrar o sucesso "Vidas Opostas", do mesmo autor, que a Record exibiu há dois anos. "Sabemos que as comparações existem, mas não há motivos para fingir que não é proposital. Minha idéia era aproveitar a aceitação que a novela teve", assume Marcílio.

Nem por isso o projeto deixa de ter novidades. Primeiro, pela forma como está sendo gravado. Em todas as cenas, o diretor Alexandre Avancini utiliza apenas uma câmara. A Viper, que custa aproximadamente US$ 500 mil, garante qualidade em alta definição, o que pode render uma abertura maior da série no mercado exterior. Mas, como contraponto, demanda mais tempo e atrasa o ritmo de trabalho da equipe, que estreia com apenas quatro capítulos finalizados. "Embora seja mais demorado, o resultado compensa os esforços", resume Avec, como é chamado pelos colegas de trabalho.

Na história central, Nando, personagem de Ângelo Paes Leme, é um ex-paraquedista que, desempregado e cansado das reclamações em casa, mata o sogro em um momento de desespero. Fugitivo da polícia, se esconde no Morro da Alvorada e, para garantir uma vaga no tráfico, passa por algumas provas. Entre elas, um assalto dentro do Túnel Rebouças, um dos que ligam a Zona Norte à Sul do Rio. Durante a ação, o rapaz mata um homem, pai de Catarina, de Francisca Queiroz. Nando consegue o posto entre os bandidos e chega até a assumir o comando do bando, mas ganha uma inimiga: Catarina decide estudar e consegue ser aprovada como delegada, assumindo justamente a delegacia responsável pela área da comunidade. "Minha personagem não é uma justiceira. Interpreto uma mulher que, através da lei, vai fazer de tudo para vingar a morte do pai", explica Francisca, que interpreta sua primeira protagonista na tevê.

A série conta com 16 episódios e a previsão é de que fique no ar até o dia 20 de abril. A maior parte das cenas é gravada no Morro Tavares Bastos, no Catete, Zona Sul carioca, mesma locação usada em "Vidas Opostas" e em outras novelas da Record com cenas em favelas. "Tem semanas em que vou lá para gravar 'Os Mutantes' também. Já sou tão conhecido quanto os outros moradores da área", brinca Avancini. Com tantas externas e muitas cenas de ação, o orçamento da série acabou ficando acima do esperado: R$ 500 mil. "É o equivalente a mais ou menos dois capítulos de novela", resume Hiran Silveira, diretor de dramaturgia da Record. Mesmo assim, o valor não pode ser considerado tão alto. "Capitu", microssérie apresentada pela Globo no fim do ano passado, contou com R$ 1 milhão por episódio, assim como "Alice", produção bem-sucedida do canal pago HBO.

Além das semelhanças com "Vidas Opostas", a Record também pega carona no fenômeno "Tropa de Elite". Como a Globo desistiu de levar ao ar um seriado inspirado no longa de José Padilha, Caio Junqueira e André Ramiro, que interpretavam os "aspiras" Neto e André Matias, ficaram livres para assinar com a concorrência. E foi o que fizeram. O primeiro continua na pele de um policial, desta vez corrupto. Já André Ramiro não topou encarnar um tipo parecido com o do filme. E, por isso, ganhou o traficante Tião Meleca. "Pedi porque queria mudar. Todo o elenco do 'Tropa' ficou muito marcado, não dá para repetir", opina o ator.

A preocupação de não representar novamente certos perfis também valeu para os que participaram de "Vidas Opostas". Felipe Martins, por exemplo, dá vida ao presidente da associação de moradores da comunidade. Um tipo honesto e justo, bem diferente do traficante que encarnou no folhetim. Heitor Martinez, que viveu o grande vilão Jackson, chefe do Morro do Torto da novela, volta na pele de um inspetor da polícia acusado de pedofilia e outros crimes. "A temática já é a mesma, não dá para repetir muito. Se fizéssemos isso, seria mais problemático para tentar distanciar 'A Lei e o Crime' de 'Vidas Opostas'", explica o autor, que participou da escolha do elenco.

"A Lei e o Crime", estréia dia 5, às 23 horas, na Record.

Quem é quem

Núcleo dos Laclos - Casa da mocinha Catarina. Família rica e tradicional que fica abalada após a morte do patriarca Alcebíades.
# Catarina Laclos (Francisca Queiroz) - Milionária que se torna delegada de polícia depois da morte do pai.
# Renato (Eduardo Lago) - Marido de Catarina. Não aceita a nova profissão da esposa.
# Maria Joana (Valquíria Ribeiro) - Secretária particular de Catarina. Depois de 20 anos trabalhando para a família, se torna amiga e confidente da patroa.
# Alcebíades (Nildo Parente) - Pai de Catarina, é assassinado no primeiro episódio por Nando.
Núcleo da família de Nando - Família humilde e cheia de problemas. Quase todos os parentes olham torto para Nando por ele não ter um emprego fixo.
# Nando (Ângelo Paes Leme) - Ex-paraquedista, entra para o tráfico de drogas depois de matar o sogro em um ataque de raiva.
# Olímpia (Raquel Nunes) - Mulher de Nando, permanece fiel ao marido mesmo depois que ele mata o pai dela.
# Romero (Caio Junqueira) - Policial corrupto e irmão de Olímpia. Será um dos principais inimigos do Nando.
# Rosa (Gabriela Durlo) - Mulher de Romero.
# Reinaldo (Roberto Frota) - Pai de Olímpia e Romero. Vive bêbado e, em uma discussão com o genro, acaba assassinado.
# Josefa (Adriana Prado) - Melhor amiga de Olímpia, foi noiva de Romero no passado e, por isso, sofre nas mãos do policial.
Núcleo da delegacia - Mistura personagens honestos e corruptos, o que dificulta o trabalho da mocinha Catarina.
# Leandro (Heitor Martinez) - Inspetor acusado de vários crimes, inclusive pedofilia. Se torna aliado de Catarina e, com isso, passa a exercer forte atração sobre a mocinha.
# Patrícia (Giullia Buscacio) - Filha de Leandro. Adora o pai, mas é obrigada a viver com a mãe porque ele é impedido pela Justiça de se aproximar da menina.
# Ari (Kito Junqueira) - Inspetor corrupto e violento.
# Araújo (Rogério Brito) - Inspetor honesto e fiel a Catarina.
# Orlando (Daniel Andrade) - Policial que faz de tudo para não ficar mal com ninguém na delegacia. Por isso, faz o jogo tanto dos corruptos quanto dos honestos.
Núcleo do Morro da Alvorada - Reflete os limites entre o poder da Justiça e as leis do tráfico. É lá que acontece a maioria das histórias da série depois que Nando assume o comando, já no primeiro episódio.
# Valdo (Sílvio Guindane) - Bandido paraplégico, é responsável pela contabilidade do tráfico. É ele quem ajuda Nando a assumir o comando do Morro da Alvorada.
# Clara (Léa Garcia) - Mãe de Valdo, é camelô e mora com o filho.
# André (Felipe Martins) - Presidente da Associação dos Moradores da favela da Alvorada.
# Tião Meleca (André Ramiro) - Traficante do bando de Nando, é um dos seus homens de confiança.
# Lacraia (Aline Borges) - Traficante perigosa e completamente dedicada a Nando, por quem é apaixonada.
# Jussara (Cristina Pereira) - Moradora da Favela da Alvorada, trabalha no pequeno comércio local e exerce certa liderança na comunidade.